Déficit primário de junho chega a R$ 48,2 bi e supera estimativas do mercado
Receita recorde de R$ 264,4 bilhões não evitou o rombo, e o governo projeta déficit de R$ 52 bilhões em 2026 após deduzir R$ 62,8 bilhões em exceções à meta.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 3 veículos. Como fazemos
Em resumo
Déficit de junho superou a mediana das projeções, de R$ 47,20 bilhões
Despesas cresceram 9% em termos reais em junho e receitas subiram 10,2%
Arrecadação federal de junho foi de R$ 264,437 bilhões, recorde para o mês desde 2000
O governo central fechou junho com déficit primário de R$ 48,178 bilhões, o pior resultado para junho desde 2023. O número reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.
O rombo pressiona o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual. No primeiro semestre, o déficit de R$ 92,227 bilhões no semestre é o pior para o período desde 2020. Um ano antes, o saldo negativo havia sido de R$ 11,277 bilhões.
Em 12 meses até junho, o resultado negativo soma R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do PIB. As despesas obrigatórias ocupam 17,76% do PIB, e as discricionárias, 1,89%.
Receita recorde não fecha a conta
A receita recorde de R$ 264,437 bilhões em impostos e contribuições federais foi a maior para meses de junho desde 2000, segundo a Receita Federal. As despesas cresceram 9% acima da inflação na comparação com junho de 2025, enquanto as receitas totais subiram 10,2% na mesma base.
O déficit superou a mediana de R$ 47,20 bilhões da pesquisa Projeções Broadcast, que ouviu estimativas entre R$ 39,0 bilhões e R$ 50,155 bilhões. Em junho de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 44,216 bilhões. Em maio deste ano, de R$ 53,257 bilhões.
Previdência puxa o resultado
O Times Brasil detalhou a abertura das contas de junho:
Tesouro Nacional e Banco Central: superávit de R$ 2,296 bilhões
Previdência Social: déficit de R$ 50,474 bilhões
Banco Central, isoladamente: resultado negativo de R$ 155 milhões
A receita líquida ajustada, indicador usado pelo arcabouço fiscal para calibrar o limite anual de despesas, terminou junho em 5,36%, acima dos 4,96% de maio. O indicador exclui receitas voláteis, como concessões, dividendos e royalties.
Governo projeta déficit de R$ 52 bilhões no ano
No Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre, o governo elevou a estimativa de superávit de 2026 de R$ 4,1 bilhões para R$ 10,8 bilhões, já considerando as exceções à meta. Ao deduzir R$ 62,8 bilhões em exceções, a projeção oficial aponta para resultado negativo de R$ 52 bilhões no ano.