CVM acusa dois ex-diretores da Ambipar por silêncio sobre troca de auditor
Processo corre em paralelo à recuperação judicial, na qual a companhia declarou dívidas de R$ 10,7 bilhões; conteúdo da acusação está sob sigilo.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
CVM abriu processo contra Ricardo Rosanova Garcia e Renato Ferreira dos Santos, ex-diretores de RI da Ambipar.
Deloitte deixou a auditoria após a Ambipar não informar oficialmente ao mercado a substituição da firma.
A companhia informou dívidas de R$ 10,7 bilhões no pedido de recuperação judicial.
A CVM abriu processo sancionador contra dois ex-diretores de relações com investidores da Ambipar (AMBP3) após a auditora Deloitte encerrar o contrato com a companhia. A acusação formal já foi apresentada e o caso aguarda julgamento, ainda sem data definida.
Os acusados são Ricardo Rosanova Garcia, diretor de RI até janeiro, e Renato Ferreira dos Santos, seu sucessor. O conteúdo do processo está sob sigilo.
Para quem tem ação ou crédito contra a empresa, o processo corre em paralelo à recuperação judicial, na qual a Ambipar declarou dívidas de R$ 10,7 bilhões. A acusação trata da comunicação ao mercado sobre a troca de auditor, não do tamanho do passivo.
Deloitte avisou a CVM em outubro
A Deloitte informou à Superintendência de Normas Contábeis da CVM, em outubro do ano passado, que havia deixado a auditoria da Ambipar. Segundo a auditora, a empresa não comunicou oficialmente ao mercado a substituição da firma, como a regra exige. A Deloitte havia assumido o trabalho poucos meses antes, no lugar da BPO, que atendia a companhia havia quatro anos.
O relatório da administração judicial confirma que a investigação partiu da comunicação da Deloitte, que apresentou as razões da renúncia ao serviço previsto para 2025.
R$ 2 bilhões do caixa estavam em FIDC
Nas demonstrações do segundo trimestre do ano passado, a Deloitte apontou que R$ 2 bilhões do caixa de R$ 4,6 bilhões estavam aplicados em um FIDC. O fundo tinha liquidez de 30 a 60 dias e não havia sido divulgado antes ao mercado.
A auditora registrou que o trabalho era uma revisão de informações intermediárias, com alcance menor que o de uma auditoria completa. Pouco depois, a Ambipar pediu recuperação judicial.
Justiça do Rio marca assembleia para 25 de agosto
A Justiça do Rio de Janeiro negou os pedidos da Ambipar para incluir o Banco Central no processo e restabelecer as garantias originais de derivativos com o Deutsche Bank. Na mesma decisão, marcou a assembleia de credores em 25 de agosto, com segunda data em 1º de setembro, em formato híbrido.
Nos últimos meses, a companhia informou à Justiça dos Estados Unidos que sua sede fica em São Paulo, versão diferente da apresentada no processo brasileiro, em que disse ter o principal estabelecimento no Rio.