O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) após o colapso do Ueno Bank, que guardava US$ 850 milhões em dinheiro público. O Banco Central paraguaio assumiu o controle do banco digital em 3 de novembro.
O colapso já aparece no preço dos ativos paraguaios. O guarani caiu 5,2%, para 6.525 por dólar, e os títulos soberanos com vencimento em 2055 recuaram cerca de 1,8 centavo, um dos piores desempenhos entre emergentes, segundo a InvestNews. O BID Invest, braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, emprestou quase US$ 20 milhões ao Ueno em 2024 e não recebeu o reembolso integral, segundo o Valor Econômico.
Solvência ficou abaixo da metade do mínimo exigido
O regulador decretou a resolução do Ueno em 2 de novembro, após identificar solvência abaixo da metade do mínimo legal. Também apontou empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador acima dos limites permitidos.
O Ueno virou banco comercial em 2023, depois que Peña, então sócio do Grupo Vázquez, assumiu a Presidência. Depósitos de órgãos públicos e da Previdência somavam US$ 869 milhões ao fim de junho, 29% do total da instituição, segundo o Valor. Cerca de 2,9 milhões de clientes ficaram sem acesso às contas, 60% da população adulta do país, segundo o Brazil Journal.
Peña perde o apoio do Partido Colorado
Deputados rejeitaram a carta de renúncia e aprovaram por unanimidade a abertura do impeachment, que seguiu para o Senado. Peña disse que deixou o cargo "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social".
O g1 informou que a renúncia buscava garantir a Peña o foro privilegiado de senador vitalício, benefício que ex-presidentes paraguaios recebem ao deixar o mandato. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou, e o controlador Miguel Vázquez está preso.
O Senado ainda precisa votar o impeachment; se a saída for confirmada, o vice Pedro Alliana assume.