O Banco Central não fixou o tamanho do ciclo de corte da Selic, iniciado na semana passada com a taxa em 14,75% ao ano. A ata do Copom divulgada nesta terça-feira (24) afirma que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão definidas conforme novas informações entrarem nas análises do comitê.
Para quem tem título prefixado, fundo DI ou ação, o recado é que o juro básico segue em terreno contracionista. O Copom repetiu que a inflação de serviços continua resiliente e que, com expectativas desancoradas, exige-se restrição monetária por mais tempo. O comitê projeta IPCA de 3,9% em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, segundo O Antagonista.
Ata descarta manter a Selic em 15%
O documento revelou que o comitê analisou apenas as opções de ritmo de início da calibração. Concluiu que "a redução de 0,25% é a mais adequada", sem colocar na mesa a hipótese de segurar a taxa em 15%, conforme apontou o Seu Dinheiro. Para Mário Mesquita, do Itaú BBA, o Copom mostrou disposição clara de aliviar o aperto.
Foi o primeiro corte em quase dois anos, lembra o Times Brasil, depois de um período com a Selic parada em 15% ao ano.
Petróleo perto de US$ 100 trava corte maior
O Brent operava a US$ 100,89 o barril às 7h25, segundo a InvestNews. O conflito no Oriente Médio encarece combustíveis e frete, o que chega à inflação. Caio Megale, economista-chefe da XP, disse ao InfoMoney que o barril nesse nível torna provável um corte de apenas 0,25 ponto em abril: "Se chegar ao fim de abril e o petróleo continuar acima de US$ 100, eles vão ter que alterar o balanço de riscos."
BBA vê 14,25% em abril e XP projeta 12,75% no fim do ano
Economistas passaram a projetar cortes de 0,50 ponto já em abril depois da ata:
- Itaú BBA: Selic a 14,25% em abril e 12,25% no fim do ano
- XP: quatro cortes seguidos de 0,50 ponto, até 12,75%
- Goldman Sachs: porta aberta para acelerar a 0,50 ponto na próxima reunião
- JPMorgan: cortes de 50 pontos-base à frente, com o petróleo como principal risco
O Copom volta a se reunir em abril.