Data centers vão disputar emissões de dívida, com 87% na Elea, diz ABC Brasil
Pedidos de acesso à rede elétrica por projetos do setor somam 26,3 GW, cerca de um quarto do pico de demanda do país.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Debêntures representam 87% do financiamento da Elea, 73% da Ascenty e 56% da Scala
Potência instalada deve subir de 843 MW em 2025 para 3.144 MW em 2031, projeta Brasscom
Pedidos de acesso à rede elétrica somam 26,3 GW, cerca de um quarto do pico de demanda
O Banco ABC Brasil (ABCB4) avalia que as empresas de data centers vão ganhar espaço nas emissões de dívida quando o mercado primário voltar a aquecer. Estudo da área de pesquisa do banco aponta que as debêntures já são uma das principais fontes de financiamento do setor, ao lado de empréstimos e recursos dos acionistas.
Para quem compra debêntures, o setor vira um candidato a emissor assim que as ofertas retomarem. As companhias têm receita em dólar e dívida em real corrigida pelo CDI, e usam derivativos para reduzir a exposição a câmbio e juros.
Debêntures respondem por 87% do funding da Elea
Em 2025, os títulos e outros passivos financeiros representavam, na soma com o patrimônio líquido:
Elea Digital: 87% da estrutura de financiamento
Ascenty: 73%
Scala Data Centers: 56%
Os papéis têm baixo volume de negociação no mercado secundário, o que sugere que ficaram nas carteiras dos bancos que coordenaram as ofertas. As emissões contam com garantias como ações das companhias, equipamentos e recebíveis dos contratos.
“Quando o mercado primário ganhar tração, acreditamos que o setor de data centers será um forte concorrente nas captações”, afirma o analista Odilon Costa.
Pedidos de energia somam 26,3 GW
Projeção da Brasscom citada no relatório aponta 3.144 MW de potência em 2031. Em 2025, o total instalado no Brasil era de 843 MW.
Os pedidos de acesso de 26,3 GW à rede de transmissão equivalem a cerca de um quarto do pico de demanda de eletricidade do país, segundo dados da EPE citados pelo Valor Econômico. Cerca de 59% da capacidade analisada pelo ONS foi considerada inviável ou condicionada à ampliação da transmissão.
Um data center de 50 MW fica pronto em cerca de 18 meses. A conexão elétrica, porém, pode levar de três a quatro anos.
Contratos acima de dez anos com big techs
Os acordos de mais de dez anos com Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34) e Amazon (AMZO34) preveem pagamento mesmo quando a infraestrutura não é usada por completo.
O banco cita o Rio AI City, da Elea Digital, com investimento estimado de US$ 10 bilhões e até 3.200 MW. O campus da Scala em Barueri tem previsão de R$ 32 bilhões e 600 MW.
A falta de capacidade elétrica em Barueri tem levado empresas a buscar Campinas, Jundiaí e Sumaré. Projetos de treinamento de modelos de IA podem favorecer o Nordeste, onde há mais energia renovável.